quarta-feira, 13 de abril de 2016

Aquecimento global: o planeta em uma encruzilhada



Lucas Sena- Mestrando em Genética e Biologia Molecular UFRGS




   Nosso planeta passou por uma série de transformações nos últimos bilhões de anos. Essas transformações possibilitaram o surgimento da vida e em alguns momentos a extinção de centenas de espécies. Porém, no último século a terra está passando por profundas transformações que estão alterando uma série de relações ecológicas e meteorológicas. Essas mudanças que vêm ocorrendo em um ritmo acelerado estão estritamente relacionadas ao início da revolução industrial e a matriz energética que utilizamos hoje.

   Existem uma enxurrada de dados e pesquisas que correlacionam o aumento da temperatura global com a queima de combustíveis fósseis e a emissão de outros gases. Porém mesmo com inúmeras evidencias existe uma luta ideológica feroz de setores sociais para convencer a população que não existe ligação entre queima de combustível fóssil e aumento da temperatura global. Esses setores, na realidade, são a representação ideológica ou “científica” das grandes indústrias petrolíferas.

   Hoje o expoente com maior visibilidade da extrema direita mundial, Donalt Trump, já deu uma série de declarações afirmando que o aquecimento global é uma farsa, opinião hegemônica entre os Republicanos, que tentam de forma sistemática cortar verbas para estudos relacionados as mudanças climáticas destinadas a NASA e ao NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Outro grande defensor de que o aquecimento global é uma fraude é o pitoresco Olavo de Carvalho.

   Também uma investigação realizada pelo Greenpeace Inglês apontou que indústrias de extração e refino de combustíveis fósseis financiaram cientistas para elaborar estudos que questionassem as mudanças climáticas.  John Sauven, diretor executivo do Greenpeace no Reino Unido, comenta a investigação: “Esse trabalho revela uma rede de especialistas 'de aluguel' e um canal de bastidores que permite às empresas do setor de combustíveis fósseis influenciar o debate sobre as mudanças climáticas – de forma oculta e sem deixar impressões digitais.”. O que está em curso não é um debate acadêmico sobre as mudanças ambientais, mas sim, uma luta econômica de grandes indústrias para avançar em seus lucros onde a sua vitória significará a destruição do planeta. 

Intensificação do efeito estufa

   O efeito estufa é um fenômeno importante para a vida na terra. Graças a composição de nossa atmosfera é possível que exista um equilíbrio térmico em nosso planeta, o que possibilita a existência de vida, na forma que conhecemos. De forma bastante simplificada, o efeito estufa impede que todo calor que a terra recebe do sol volte para o espaço novamente, como se fosse uma tipo de “cobertor”. O equilíbrio do efeito estufa é um aspecto muito específico de nosso planeta que possibilita ele apresentar a diversidade de vida que tem.

   Se observarmos dois planetas próximos temos dois extremos que apontam a correlação do efeito estufa e sua temperatura. Mercúrio é o planeta mais próximo do sol, mas por quase não apresentar atmosfera, o calor que recebe do sol não fica retido no planeta, resultando grande oscilação térmica −173 °C a 427 °C. Já Vênus, o segundo planeta do sistema solar, tem uma atmosfera densa, formada principalmente por dióxido de CO2 (96,5%) que é o elemento predominante na formação do efeito estufa, o resultado faz com que sua temperatura média seja em torno 461 °C, sendo o planeta mais quente do sistema solar, graças a um “super efeito estufa” 

   Já a atmosfera da terra tem uma composição química responsável pelo equilíbrio térmico que temos. Ela apresenta uma composição de 78% nitrogênio, 21% oxigênio e aproximadamente 1 % de gás carbônico. O gás carbônico é dos gases responsáveis pela retenção do calor na terra impedindo que ele retorne para o espaço. Na prática, existe uma correlação entre a concentração de CO2 atmosférico e o efeito estufa. O planeta vênus é uma expressão categórica disso.

   Mas o gás carbônico não é o único gás capaz de impedir que a radiação infravermelha emitida da Terra escape. Na verdade, este contribui com cerca de 53 % do total dos gases estufa, sendo que outros gases produzidos pelas atividades humanas também contribuem para o efeito estufa: metano (17%); CFCs (12%), e óxido nitroso (6%), entre outros. Além de estar em maior porcentagem, a concentração do gás carbônico vem aumentando rapidamente nas últimas décadas.

   O aumento da concentração CO2 na atmosfera da Terra vem progredindo constantemente no último século. Essencialmente pelo processo da queima de combustíveis fosseis e desmatamento. Isso ocorre pois todos os organismos vivos concentram uma quantidade significativa de carbono. A medida que morrem, organismos decompositores degradam as moléculas dos seres vivos e liberam novamente para o ambiente.

   Porém uma parcela significativa de organismos vivos (plantas, animais, entre outros) ao morrer podem se fossilizar impedindo o acesso de organismos decompositores. Com o tempo esses organismos sofrem inúmeras transformações químicas transformando-se em combustíveis fósseis (carvão mineral, gás natural, petróleo). A medida que queimamos combustíveis fósseis ou desmatamos, o carbono contido neles é liberado fazendo com que aumente sua concentração na atmosfera.

   O grande salto na emissão de CO2 se deu após a revolução industrial e segue em curso em um ritmo assustador graças a queima constante de derivados de petróleo, gás natural e carvão. Esse processo é explícito e está representado no gráfico elaborado pelo NOAA.   Em fevereiro de 2016, o nível de CO2 atmosférico atingiu média global foi de 402,59 ppm (partes por milhão). Antes de 1800, o CO2 atmosférico em média cerca de 280 ppm. 







   
   O aumento massivo da concentração de CO2 atmosférico leva inevitavelmente a intensificação do efeito estufa e consequentemente o aumento da temperatura terrestre. Em 2015, a temperatura média da superfície da Terra atingiu níveis recordes: 0,68 °C acima da média registrada entre 1961-1990. Já a previsão divulgada pelo Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, aponta que 2016 desbancará 2015 como o ano mais quente desde o início dos registros, em 1880. A previsão é que a temperatura média global será 1,14 grau Celsius acima da observada antes da Revolução Industrial.
Abaixo temos um gráfico da variação da temperatura em relação à média global até 2014:  






   Janeiro e fevereiro de 2016 registraram novos recordes mensais de temperatura, desde quando os dados começaram a ser coletados. Os dados foram divulgados pela NASA, revelando que a temperatura média em toda a superfície terrestre ficou 1,35 grau Celsius acima da média para os meses de fevereiro no período entre 1951-1980, usado como referência pela agência espacial.




Consequências

   O aumento progressivo da temperatura causa uma série de danos no nosso planeta: A começar com o derretimento progressivo das geleiras, causando aumento do nível do mar. Segundo a NASA, o nível dos oceanos subiu cerca de 8 centímetro desde 1992, resultando na destruição de inúmeros ecossistemas e causando uma realimentação positiva do clima, pois a superfície branca do gelo faz com que se reflita a luz solar. A medida que o gelo derrete mais calor é absorvido pelo mar que é escuro, contribuindo para o aquecimento global.

   Sem contar que inúmeras cidades litorâneas estão ameaçadas com a progressão continua do nível do mar, isso porque a perspectiva de elevação do nível do mar é de 0,8 a 2 metros ainda esse séculos, fazendo com que cidades como Veneza, Roterdã, Bangcoc dentre outras possam ficar submersas.    
O aumento da temperatura também tem intensificado a violência das tempestades em todo o mundo.

    Isso se dá pela mudança da densidade do ar aquecido e o reflexo é uma alteração na circulação do ar em todo mundo. Existe um relativo consenso de que as tempestade estariam se tornando cada vez mais violentas.   Uma comparação do número de furacões de categoria 4 e 5 em dois períodos, 1975-1989 e 1990-2004, mostra que no Pacífico Oeste o número aumentou de 85 para 116 (ou de 25% para 41% do total) e no Atlântico Norte, de 16 para 25 (de 20% para 25%). Essa é apenas uma das inúmeras consequências do clima como secas e alagamentos. No Brasil, as pesquisas realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que houve um aumento de 79% no número de dias de tempestade nos últimos 60 anos em comparação à primeira metade do século 20.

   Além disso, o aquecimento global pode intensificar a fome mundial, não só pela destruição da produção agrícola através de secas e tempestades, mas também pela redução da população de polinizadores. O aumento da temperatura resulta na queda drástica da população de polinizadores (abelhas, borboletas e outros insetos).

   Estima-se que a população de abelhas tenha caído 40% nos Estados Unidos e 50% na Europa nos últimos 25 anos. Um quarto das espécies está sob ameaça de extinção. A pesquisa publicada na revista "Science" é o primeiro estudo que explica a responsabilidade da mudança climática para o declínio das populações de abelhas e mamangabas a nível mundial. Também existe um processo migratório de borboletas europeias e americanas para o norte na busca de regiões de temperaturas mais amenas.  A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) analisa que: de 5% a 8% da produção agrícola mundial, ou seja, entre 235 e 577 bilhões de dólares, são diretamente dependentes da ação dos polinizadores nas colheitas (cereais, frutas, etc).

Uma política que reverta o aquecimento global

É preciso reduzir drasticamente a queima de combustíveis fósseis, investindo em energias renováveis. Também se faz necessário estancar o desmatamento e ampliar as medidas de proteção ambiental. Outros elementos que também intensificam o efeito estufa, como  metano e CFC`s,  devem ser reduzidas, e isso se passa por mudanças de hábitos da população.

A educação ambiental para o conjunto da população e o maior investimento na pesquisa científica para compreender de forma mais aprofundada o clima também se fazem necessárias. É preciso popularizar o conhecimento científico como forma de defesa do planeta, impedindo que charlatões a serviço da grande indústria petrolífera mantenham a população mundial em um ‘transe” que vivemos em um planeta infinito e que a grande fórmula para felicidade é o consumo desenfreado.           
Essas medidas são urgentes e para realizá-las   é necessário se enfrentar inevitavelmente com o modelo econômico mundial que joga a humanidade e o planeta para destruição. Está nas mãos dessa geração tirar o planeta dessa encruzilhada.   

domingo, 29 de março de 2015

Por que a cooperação é um elemento central da Evolução?




   Sempre houve uma tentativa de desqualificar o Darwinismo, utilizando diferentes formas. Uma delas foi uma tentativa de justificar o individualismo e a competição sobre o prisma de “o mais forte sobrevive”. A teoria da evolução foi usada muitas vezes, inclusive para justificar o racismo. Em geral, o conjunto dessas distorções ficou conhecido como darwinismo social, e foi base para movimentos totalitários e imperialistas.

   De fato existe na natureza uma luta pela sobrevivência, porém o processo evolutivo da vida vai muito além do que uma competição onde individualmente um ser compete com o outro. A forma como os organismos se comportam pode cumprir um papel significativo na garantia de sua sobrevivência. A cooperação cumpriu um papel determinante no desenvolvimento da vida na terra.    

   Essa cooperação da vida se estende desde o ponto de vista molecular, passando pelo nível celular a organismos microscópios, chegando para estruturas mais complexas de comportamento. Por isso, resumir o darwinismo a uma mera competição extremada entre os seres vivos na luta para garantir a sobrevivência é, na prática, um completo desconhecimento (ou desonestidade) do que significa a Evolução.  

   O processo de cooperação se estende a inúmeras situações e partir dela foi possível a complexidade da vida na terra dar saltos. Os organismos mais simples são compostos por células procarióticas, que são células mais simples que não apresentam núcleo nem uma complexa “maquinária” de organelas que potencializam o metabolismo celular. Já os mais complexos apresentam células eucarióticas, com núcleo, que possibilitou o desenvolvimento de DNA  mais complexos e uma produção mais eficiente de proteínas.         
  O provável desenvolvimento de células Eucarióticas ocorreu partir da associação cooperativa de células procarióticas, processo conhecido como simbiose.  É provável que em algum momento um organismo tenha incorporado outro num processo de cooperação, em que um oferecia produção de energia e o outro proteção, processo conhecido como endossimbiose. Esse processo possibilitou aos organismos passarem de simples bactérias (procarióticas) a  formas de vida mais complexas.    
   
   Inúmeras evidências apontam para confirmação dessa teoria. As mitocôndrias e os cloroplastos tem seu próprio DNA e são delimitados por duas ou mais membranas. Suas membranas são constituídas por peptidioglicanos (que são característicos de células bacterianas). E a mitocôndria e cloroplastos são similares às bactérias em tamanho.
A nível celular, podemos observar, que em última instância todo maquinário está a serviço de que o DNA daqueles organismos sejam ”passado para frente”. O conjunto mais diversificado de células garante o funcionamento de um maquinário, para que as células reprodutivas consigam atingir seus objetivos, de se reproduzir.

   Saindo do campo micro e passando para o macro, a natureza nos demonstra inúmeros exemplos de uma profunda cooperação entre algumas espécies. A associação entre algas verdes e musgos que resultam nos líquens, ou os insetos responsáveis pela polinização das flores são exemplos dessa cooperação. Talvez um exemplo bastante significativo é a do  pássaro palito que retira dos dentes do crocodilo restos de alimentos, ajudando o crocodilo e ao mesmo tempo tendo uma alimentação fácil. Se a competição insana prevalecesse, provavelmente o réptil  abocanharia a presa fácil.

   Entre organismos da mesma espécie temos exemplos de sacrifícios para que suas espécies continuem existindo. Tanto polvo, quanto lulas só se reproduzem uma vez. Após a copula o macho morre e a fêmea sobrevive apenas o tempo suficiente para o cuidado dos ovos. Poderíamos citar as abelhas, que para proteger a colmeia ataca os invasores com ferroada, mesmo que esse ataque custe sua própria vida.  

   Entre os insetos é possível a formação de agrupamentos complexos para melhor desenvolver aquela população. Richard Dawkins em seu livro O Gene Egoísta escreve:

“Em certas formigas há uma casta de operárias com abdomens grotescamente inchados, cheios de alimento, cuja única função na vida é dependurarem-se do teto como lâmpadas inchadas, sendo usadas como reservas de alimento pelas outras operárias. Do ponto de vista humano elas absolutamente não vivem como indivíduos; sua individualidade é subjugada, aparentemente para o bem-estar da comunidade
A maioria dos indivíduos numa colônia de insetos sociais são operárias estéreis. A "linhagem germinativa" - a linha da continuidade dos genes imortais - flui através do corpo de uma minoria de indivíduos, os reprodutores. Estes são análogos as nossas próprias células reprodutivas nos testículos e ovários. As operárias estéreis são análogas ao fígado, músculo e células nervosas.”

   Poderíamos citar outras centenas de exemplos, de profunda cooperação na natureza, como os bandos de macacos (ou outros mamíferos) que vivem em grupo cuidando comumente da prole. Ou morcegos-vampiros que se alimentam de sangue e depois voltam para o ninho e vomitam o sangue para alimentar outros morcegos que não conseguiram se alimentar.

  Nossa espécie é um exemplo categórico de que só foi possível atingirmos a complexidade da vida que temos hoje, em função de nossa profunda cooperação. A vida em bando nos protegeu de possíveis ameaças e nos ajudou a buscar alimentos. A transmissão da tradição e conhecimento adquirido dos mais velhos para os mais novos possibilitou uma aceleração de hábitos que melhoram profundamente a qualidade de vida das tribos: “como caçar, o que plantar, como entender os fenômenos ambientais, dominar o fogo” foram elementos determinantes que nos possibilitaram se adaptar as mudanças climáticas, dando um destino oposto ao de nosso parente próximo, o neandertal. Sem a cooperação, a vida em comunidade e a solidariedade entre os humanos, jamais atingiríamos a estrutura biológica e social que temos hoje.


  Infelizmente, hoje os setores sociais que dominam politicamente e socialmente nossa sociedade potencializaram a competição em um nível nunca visto antes na humanidade. A disputa por mercados de forma irracional, onde se visa somente o lucro pode colocar a sobrevivência de nossa espécie em xeque, seja destruindo o meio ambiente ou através de guerras e miséria.   Em um momento em que nosso planeta se encontra em uma encruzilhada, sempre é bom reafirmar que foi a cooperação que possibilitou que a nossa espécie sobrevivesse a situações complexas.       

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Existe um comportamento sexual natural?



   “Isso não é natural!” Exclamam setores sociais ligados geralmente a grupos religiosos quando opinam sobre relações homossexuais. Esse argumento da naturalidade vem combinado com uma serie de outras afirmações como: “o sexo é para procriar”, “deus fez o macho para femêa”, “é uma aberração”, etc. Essas series de afirmações dão sustentações a toda forma de preconceito contra os LGBT´s potencializando agressões psicológicas, verbais e físicas. Frente a essas afirmações é preciso responder a seguinte pergunta: “De fato existe um comportamento natural?”.

   Os setores religiosos afirmam que todas as criaturas são criações divinas. Os humanos também fazem parte dessa “fabulosa criação”. Primeiro Deus criou Adão do barro e Eva a partir de uma costela de Adão. Ambos desconheciam o pecado, até que Eva comeu o fruto proibido rogando sobre a humanidade o peso do pecado. Portando, as relações homossexuais para esses setores seriam uma perversão que atenta contra as regras divinas.

   Porém, ao nos defrontarmos com o comportamento geral dos animais podemos observar que o conceito de “normalidade”, “natural” não se encaixam em dogmas. O comportamento que as criaturas da natureza adotam são extremamente variados e fascinantes. Uma pesquisa de 1999, feita pelo pesquisador Bruce Bagemihl, mostra que o comportamento homossexual já foi observado em cerca de 1.500 espécies animais.
Podemos citar algumas espécies que tem relações homossexuais como, por exemplo, carneiros, girafas, libélulas, pinguins, gaivotas ocidentais, golfinhos nariz-de-garrafa, dentre outras. Alguns animais realmente formam casais homossexuais que passam juntos a vida toda, chegando a criar filhotes às vezes doados por casais heterossexuais, às vezes, resultado de uma “escapada” de uma das fêmeas. Ou seja, o comportamento homossexual entre animais é comum ou em outras palavras...natural.

   Os bonobos, parentes próximos dos chimpanzés, que vivem ao sul do Rio Congo utilizam o sexo como uma ação para resolver conflitos no grupo, extrapolando a concepção de sexo para procriação. Nos bandos de bonobos o sexo entre fêmeas ou entre machos são extremamente comuns de serem observados. O sexo como uma função social, entre os bonobos, ocupa o lugar dos conflitos físicos que ocorrem entre os chimpanzés como mecanismos de resolução dos problemas do grupos. 

   Nos Albatrozes de Laysan, os pares de mesmo sexo podem durar tanto quanto os pares tradicionais – em um caso observado, chegou a 19 anos. Na Nova Zelândia, um par do mesmo sexo de albatrozes reais, que são maiores, foi visto cuidando de um ninho, o que sugere que este comportamento é comum.


   Já entre os leões, que são vistos como símbolo de “liderança, força e virilidade” para nossa sociedade, o comportamento homossexual também ocorre. Certa porcentagem de leões africanos machos abandonam as fêmeas disponíveis para formar seus próprios grupos homossexuais.


   Inúmeros exemplos na natureza demonstram que os comportamentos homossexuais entre animais é bastante convencional.  Ou seja, esse discurso de relações sexuais não é natural e por si só caem por terra. Além disso, reduzir o comportamento humano entre natural e não natural é um completo delírio. Andar de carro, ir ao cinema, viajar de avião, escovar os dentes, tomar remédios, todas são ações extremamente antinaturais. A única coisa que podemos afirmar de forma categórica é que a homofobia cumpre um papel de intolerância, ódio e preconceito, portanto que fortalece a barbárie na nossa sociedade.      

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A vida na Terra poderia ter vindo do espaço?






Quando pensamos em “vida”, surge imediatamente em nosso pensamento inúmeras condições físico/químicas para garantir a sua existência, como temperatura equilibrada, alimentos, oxigênio, pouca radiação, etc... Porém quais os limites que a vida pode suportar? E mais... A vida pode sobreviver em condições drasticamente diferentes das quais vivemos?

   Nosso planeta agrega uma série de condições que possibilitaram a evolução da vida terrestre numa complexidade extraordinária.  Mesmo em regiões de condições extremas, na terra, existem organismos que se adaptam a ambientes que até certo tempo acreditaríamos ser impossível sobreviver.

   Poderíamos citar, por exemplo, algumas espécies das Archaea que podem sobreviver a temperaturas superiores a 100 °. Alguns micróbios, chamados de psicrófilos, são geralmente encontrados no gelo polar, em geleiras e nas águas de oceanos profundo, a temperaturas tão baixas quanto 15 graus Celsius negativos. Poderíamos listar outras inúmeras espécies terrestres que vivem em condições extremas aqui na Terra.
Mas na Terra, mesmo tendo ambientes extremos, sua longa idade possibilitou que as espécies terrestres se adaptassem a situações de vida complexas. Porém a vida poderia sobreviver em condições extraterrestres? Primeira questão: É preciso localizar que o conceito que entendemos sobre vida é extremamente reduzido frente à imensidão do cosmos, mas mesmo a vida na qual conhecemos hoje é capaz de nos surpreender.

   Existe uma espécie de invertebrado, os tardígrados, que medem apenas 1 mm. Esses seres vivos são capazes de viver em condições extremante antagônicas, a temperaturas tão baixas quanto -200 °C e tão altas quanto 151 °C, congelados em um bloco de gelo. Com falta de oxigênio e de água por décadas, a níveis de radiação por raio-x mil vezes a dose letal a um ser humano.  As baixas pressões do vácuo, como as do espaço e a altas pressões (6 vezes a pressão do oceano mais profundo).


   Em setembro de 2007, os tardígrados subiram a bordo de uma cápsula Foton-M3, da Agência Espacial Européia. Na cápsula, os invertebrados foram expostos a condições como o vácuo, radiação ultravioleta e raios cósmicos. No caso dos raios ultravioletas, a intensidade é cerca de mil vezes maior do que a experimentada na superfície da Terra. No entanto, a radiação não impediu que uma parcela dos microviajantes espaciais voltasse viva e, pior (ou melhor) ainda, desse origem a novos tardigradozinhos.

   Ou seja, isso abre uma possibilidade e não torna a ideia um completo absurdo de que formas de vidas poderiam viajar pelo espaço ou sobreviver em outros planetas em condições radicalmente diferentes da Terra. Isso reforça uma teoria de que a vida na Terra tem origem extraterrestre, onde microrganismos chegaram a terra junto com fragmentos de meteoros e asteroides, que caíram aqui no período de sua formação. Essa teoria é conhecida como panspermia.


   Até o momento não existe nenhuma prova categórica sobre a origem da vida na Terra, apesar de ter inúmeras teorias bastante consistentes. Mas para além da origem da vida na Terra, os tardígrados reforçam a possibilidade de existência de formas de vidas fora dela. Como afirmou o físico Carl Sagan: “Se estamos sozinhos no mundo, o universo é um enorme desperdício de espaço”.