quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Existe um comportamento sexual natural?



   “Isso não é natural!” Exclamam setores sociais ligados geralmente a grupos religiosos quando opinam sobre relações homossexuais. Esse argumento da naturalidade vem combinado com uma serie de outras afirmações como: “o sexo é para procriar”, “deus fez o macho para femêa”, “é uma aberração”, etc. Essas series de afirmações dão sustentações a toda forma de preconceito contra os LGBT´s potencializando agressões psicológicas, verbais e físicas. Frente a essas afirmações é preciso responder a seguinte pergunta: “De fato existe um comportamento natural?”.

   Os setores religiosos afirmam que todas as criaturas são criações divinas. Os humanos também fazem parte dessa “fabulosa criação”. Primeiro Deus criou Adão do barro e Eva a partir de uma costela de Adão. Ambos desconheciam o pecado, até que Eva comeu o fruto proibido rogando sobre a humanidade o peso do pecado. Portando, as relações homossexuais para esses setores seriam uma perversão que atenta contra as regras divinas.

   Porém, ao nos defrontarmos com o comportamento geral dos animais podemos observar que o conceito de “normalidade”, “natural” não se encaixam em dogmas. O comportamento que as criaturas da natureza adotam são extremamente variados e fascinantes. Uma pesquisa de 1999, feita pelo pesquisador Bruce Bagemihl, mostra que o comportamento homossexual já foi observado em cerca de 1.500 espécies animais.
Podemos citar algumas espécies que tem relações homossexuais como, por exemplo, carneiros, girafas, libélulas, pinguins, gaivotas ocidentais, golfinhos nariz-de-garrafa, dentre outras. Alguns animais realmente formam casais homossexuais que passam juntos a vida toda, chegando a criar filhotes às vezes doados por casais heterossexuais, às vezes, resultado de uma “escapada” de uma das fêmeas. Ou seja, o comportamento homossexual entre animais é comum ou em outras palavras...natural.

   Os bonobos, parentes próximos dos chimpanzés, que vivem ao sul do Rio Congo utilizam o sexo como uma ação para resolver conflitos no grupo, extrapolando a concepção de sexo para procriação. Nos bandos de bonobos o sexo entre fêmeas ou entre machos são extremamente comuns de serem observados. O sexo como uma função social, entre os bonobos, ocupa o lugar dos conflitos físicos que ocorrem entre os chimpanzés como mecanismos de resolução dos problemas do grupos. 

   Nos Albatrozes de Laysan, os pares de mesmo sexo podem durar tanto quanto os pares tradicionais – em um caso observado, chegou a 19 anos. Na Nova Zelândia, um par do mesmo sexo de albatrozes reais, que são maiores, foi visto cuidando de um ninho, o que sugere que este comportamento é comum.


   Já entre os leões, que são vistos como símbolo de “liderança, força e virilidade” para nossa sociedade, o comportamento homossexual também ocorre. Certa porcentagem de leões africanos machos abandonam as fêmeas disponíveis para formar seus próprios grupos homossexuais.


   Inúmeros exemplos na natureza demonstram que os comportamentos homossexuais entre animais é bastante convencional.  Ou seja, esse discurso de relações sexuais não é natural e por si só caem por terra. Além disso, reduzir o comportamento humano entre natural e não natural é um completo delírio. Andar de carro, ir ao cinema, viajar de avião, escovar os dentes, tomar remédios, todas são ações extremamente antinaturais. A única coisa que podemos afirmar de forma categórica é que a homofobia cumpre um papel de intolerância, ódio e preconceito, portanto que fortalece a barbárie na nossa sociedade.      

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