Quando pensamos em “vida”, surge imediatamente em nosso
pensamento inúmeras condições físico/químicas para garantir a sua existência,
como temperatura equilibrada, alimentos, oxigênio, pouca radiação, etc... Porém
quais os limites que a vida pode suportar? E mais... A vida pode sobreviver em
condições drasticamente diferentes das quais vivemos?
Nosso planeta agrega uma série de condições que
possibilitaram a evolução da vida terrestre numa complexidade extraordinária. Mesmo em regiões de condições extremas, na
terra, existem organismos que se adaptam a ambientes que até certo tempo
acreditaríamos ser impossível sobreviver.
Poderíamos citar, por exemplo, algumas espécies das Archaea
que podem sobreviver a temperaturas superiores a 100 °. Alguns micróbios,
chamados de psicrófilos, são geralmente encontrados no gelo polar, em geleiras e
nas águas de oceanos profundo, a temperaturas tão baixas quanto 15 graus
Celsius negativos. Poderíamos listar outras inúmeras espécies terrestres que
vivem em condições extremas aqui na Terra.
Mas na Terra, mesmo tendo ambientes extremos, sua longa
idade possibilitou que as espécies terrestres se adaptassem a situações de vida
complexas. Porém a vida poderia sobreviver em condições extraterrestres?
Primeira questão: É preciso localizar que o conceito que entendemos sobre vida
é extremamente reduzido frente à imensidão do cosmos, mas mesmo a vida na qual
conhecemos hoje é capaz de nos surpreender.
Existe uma espécie de invertebrado, os
tardígrados, que medem apenas 1 mm. Esses seres vivos são capazes de viver em
condições extremante antagônicas, a temperaturas tão baixas quanto -200 °C e
tão altas quanto 151 °C, congelados em um bloco de gelo. Com falta de oxigênio
e de água por décadas, a níveis de radiação por raio-x mil vezes a dose letal a
um ser humano. As baixas pressões do
vácuo, como as do espaço e a altas pressões (6 vezes a pressão do oceano mais
profundo).
Em setembro de 2007, os tardígrados subiram a bordo de
uma cápsula Foton-M3, da Agência Espacial Européia. Na cápsula, os
invertebrados foram expostos a condições como o vácuo, radiação ultravioleta e
raios cósmicos. No caso dos raios ultravioletas, a intensidade é cerca de mil vezes
maior do que a experimentada na superfície da Terra. No entanto, a radiação não
impediu que uma parcela dos microviajantes espaciais voltasse viva e, pior (ou
melhor) ainda, desse origem a novos tardigradozinhos.
Ou seja, isso abre uma possibilidade e não torna a ideia
um completo absurdo de que formas de vidas poderiam viajar pelo espaço ou
sobreviver em outros planetas em condições radicalmente diferentes da Terra.
Isso reforça uma teoria de que a vida na Terra tem origem extraterrestre, onde
microrganismos chegaram a terra junto com fragmentos de meteoros e asteroides,
que caíram aqui no período de sua formação. Essa teoria é conhecida como panspermia.
Até o momento não existe nenhuma prova categórica sobre a
origem da vida na Terra, apesar de ter inúmeras teorias bastante consistentes. Mas
para além da origem da vida na Terra, os tardígrados reforçam a possibilidade
de existência de formas de vidas fora dela. Como afirmou o físico Carl Sagan:
“Se estamos sozinhos no mundo, o universo é um enorme desperdício de espaço”.


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