“Isso não é natural!” Exclamam setores sociais ligados
geralmente a grupos religiosos quando opinam sobre relações homossexuais. Esse
argumento da naturalidade vem combinado com uma serie de outras afirmações
como: “o sexo é para procriar”, “deus fez o macho para femêa”, “é uma
aberração”, etc. Essas series de afirmações dão sustentações a toda forma de
preconceito contra os LGBT´s potencializando agressões psicológicas, verbais e
físicas. Frente a essas afirmações é preciso responder a seguinte pergunta: “De
fato existe um comportamento natural?”.
Os setores religiosos afirmam que todas as criaturas são
criações divinas. Os humanos também fazem parte dessa “fabulosa criação”. Primeiro
Deus criou Adão do barro e Eva a partir de uma costela de Adão. Ambos
desconheciam o pecado, até que Eva comeu o fruto proibido rogando sobre a
humanidade o peso do pecado. Portando, as relações homossexuais para esses
setores seriam uma perversão que atenta contra as regras divinas.
Porém, ao nos defrontarmos com o comportamento geral dos
animais podemos observar que o conceito de “normalidade”, “natural” não se
encaixam em dogmas. O comportamento que as criaturas da natureza adotam são
extremamente variados e fascinantes. Uma pesquisa de 1999, feita pelo
pesquisador Bruce Bagemihl, mostra que o comportamento homossexual já foi
observado em cerca de 1.500 espécies animais.
Podemos citar algumas espécies que tem relações
homossexuais como, por exemplo, carneiros, girafas, libélulas, pinguins,
gaivotas
ocidentais, golfinhos nariz-de-garrafa, dentre outras. Alguns animais realmente
formam casais homossexuais que passam juntos a vida toda, chegando a criar
filhotes às vezes doados por casais heterossexuais, às vezes, resultado de uma
“escapada” de uma das fêmeas. Ou seja, o comportamento homossexual entre
animais é comum ou em outras palavras...natural.
Os bonobos,
parentes próximos dos chimpanzés, que vivem ao sul do Rio Congo utilizam o sexo
como uma ação para resolver conflitos no grupo, extrapolando a concepção de
sexo para procriação. Nos bandos de bonobos o sexo entre fêmeas ou entre machos
são extremamente comuns de serem observados. O sexo como uma função social,
entre os bonobos, ocupa o lugar dos conflitos físicos que ocorrem entre os
chimpanzés como mecanismos de resolução dos problemas do grupos.
Nos Albatrozes de Laysan, os pares de mesmo sexo podem
durar tanto quanto os pares tradicionais – em um caso observado, chegou a 19
anos. Na Nova Zelândia, um par do mesmo sexo de albatrozes reais, que são
maiores, foi visto cuidando de um ninho, o que sugere que este comportamento é
comum.
Já entre os leões, que são vistos como símbolo de
“liderança, força e virilidade” para nossa sociedade, o comportamento
homossexual também ocorre. Certa porcentagem de leões africanos machos
abandonam as fêmeas disponíveis para formar seus próprios grupos homossexuais.
Inúmeros exemplos na natureza demonstram que os
comportamentos homossexuais entre animais é bastante convencional. Ou seja, esse discurso de relações sexuais
não é natural e por si só caem por terra. Além disso, reduzir o comportamento
humano entre natural e não natural é um completo delírio. Andar de carro, ir ao
cinema, viajar de avião, escovar os dentes, tomar remédios, todas são ações
extremamente antinaturais. A única coisa que podemos afirmar de forma
categórica é que a homofobia cumpre um papel de intolerância, ódio e
preconceito, portanto que fortalece a barbárie na nossa sociedade.



